
Quando já estava acho que com uns 8 cm fui pra piscina, já tinha perdido a noção do tempo, depois o Bbzo entrou comigo na água. E a minha irmã do meio chegou (teve platéia!).
Não lembro bem que hora eu falei que queria ir ao banheiro, e a Vilma perguntou se era xixi e eu falei que não, e ela disse pra eu ir, mas que ela achava que era a nenê querendo nascer. Fui no banheiro e nada!
Voltei pra piscina e falei pra Vilma que estava com vontade de fazer cocô e ela falando que quando tivesse essa vontade era pra eu fazer força que não era cocô, era a Laura bem perto de nascer, mas nada!

E como doía fazer aquela força! Doía na barriga, era uma dor diferente... Piorava a dor fazer força!
E eu estava com tanto sono que dormia apoiada no Bbzo entre as contrações e quando elas vinham e dava aquela vontade (que eu achava que era de fazer cocô, mas eram os puxos) eu avisava a Vilma que ficava a postos.
Aí eu fiquei com medo...

A Vilma fez um toque e já tinha dilatação total, mas acho que faltava a Laura girar um pouco, então fiz o que ela mandou: saí da piscina e fui andar, mas já estava difícil, então fui pro chuveiro e quase que ela nasce lá mesmo! Pude sentir a bolsa quando fazia força e ela descia, uma sensação muito boa, mas ao mesmo tempo assustadora!
Nesse momento eu me dei conta de que um bebê ia nascer, de que minha vida ia mudar, de que eu ia deixar de ser filha para ser mãe... Só nesse momento, quando senti ela descendo e girando é que a ficha caiu de verdade... aí deu medo...
AGORA VAI!
Voltamos pro quarto e tentamos achar uma posição mais confortável, aí fiquei meio deitada no chão com o Bbzo me apoiando atrás (sentado no chão atrás de mim).
Desde a transição (da dilatação total para o expulsivo) eu já não estava mais rindo, estava na "partolândia", e não queria que ninguém falasse mais nada, queria silêncio absoluto, até o som foi desligado.
Quanto mais perto de ela nascer fui ficando com mais medo e isso atrapalhou minha concentração, me impediu de aproveitar melhor o momento, aí minha mãe fez uma oração em voz alta e me disse que dependia só de mim, eu tinha que fazer minha filha nascer...
Lembro da minha irmã orando e me olhando com uma cara de dó!
Aí eu clamei a Deus pra me ajudar porque eu estava cansada e com medo e queria dormir!
Não queria “morrer na praia” depois de toda essa jornada!
Juntei forças e comecei a empurrar, até que a bolsa estourou e espirrou tudo na Vilma!
Fiz mais força e senti o cabelo dela, mas ela descia e subia...
Em determinado momento pedi pra Vilma me ajudar, e ela falou “só se eu puxar pelos cabelos dela!”.
Eu comecei a gritar durante a “força”, não era bem um grito, era um som gutural, aí senti o círculo de fogo, noooooosssssssa! (lembrei dos relatos que tinha lido, do círculo de fogo, não tem nome que defina melhor aquela sensação, e do grito meio “animal”).
Nessa parte minha sogra saiu do quarto, ela ficou com dó de mim e preferiu sair!
Quando a cabeça estava saindo a Vilma falou pra eu parar de fazer força e eu “não dáááááááá!!!!!” e minha mãe do meu lado falando pra eu respirar e não fazer força... a Vilma até “segurou” a cabeça dela pra não sair de uma vez e pro períneo alongar um pouco mais e não romper.

Na realidade não sei se consegui não fazer força... de repente vi a Laura saindo com o cordão enrolado no pescoço (que a Vilma logo retirou) e ela veio pro meu colo!
Com 51 cm e 3,130 kg!
Aí eu e o Gustavo começamos a rir e a chorar!
Todo mundo começou a rir e a chorar!
A Laura nasceu em casa! No chão do nosso quarto... Era tanta gente amando ela naquele mesmo momento e lugar que era impossível não se emocionar!
E ela ficava esticando as perninhas como se quisesse ficar em pé, exatamente como fazia na barriga, que formava um “caroço” do lado direito da minha barriga!
E os olhinhos azuis bem abertos olhando tudo, cabeluda e a
boquinha bem vermelhinha! De repente o maior berreiro, chorou bem forte e parou pra mamar... ficou quase uma hora mamando!
O Gustavo cortou o cordão depois que ele parou de pulsar... logo depois, senti uma dor e a placenta saiu, que alívio!

Fiquei na cama enquanto todo mundo fazia a limpeza pós-parto...
A Vilma veio dar os pontos porque, mesmo usando a pomada de cobre eu tive laceração de pele e mucosa (mas muito menos que uma episiotomia, nem se compara!); não percebi que a força que fiz foi muito grande e a Laura saiu muito rápido, depois minha irmã falou que a Vilma falava e eu não entendia direito!
Depois recebi a visita do meu sogro, fizemos um lanchinho, aí dormi bastante... de noite vieram muitos amigos conhecer a Laurinha! E saber como foi o tal “parto em casa”!
Só digo a vocês: VALEU A PENA!
No dia eu falei que não passaria por isso de novo. Hoje eu digo que passaria por tudo! Se tivermos outro filho, talvez daqui alguns anos, será em casa de novo!
Reflexões:
Minha irmã não quer ficar grávida, tem pavor de barriga de grávida, quando a minha ficou grande ela pedia pra não ver, mas o parto ela fotografou sem frescura, e clicou exatamente a hora do nascimento (inclusive a circular de cordão no pescoço); depois ela comentou com a Vilma que foi maravilhoso, impressionante, “gente nascendo de gente” (palavras dela), mudou a vida dela.
Ela também disse que no final do trabalho de parto eu estava com uma cara de cansada, abatida, mas assim que a Laura nasceu meu semblante se iluminou, mudou completamente.
Não consegui comer durante o TP, só beber, então me senti muito fraca.
No final da tarde eu fui bela e formosa ao banheiro e quando voltei desmaiei! Só lembro que acordei no chão, esfolei o braço e bati a cabeça... mas o pior foi o períneo... caí em cima dos pontos e dois dias depois tiveram que ser refeitos... e a anestesia não funcionou direito por causa da inflamação, então chorei mais por causa dos pontos do que pra dar à luz!
Ah, no final do expulsivo eu falava pra Vilma “Tira ela logo daqui! Eu não agüento mais! Ela vai rasgar tudo, não vai passar!”... tolinha! Como diz a Vilma: “neném entra, neném sai!”
Agradecimentos:
Agradeço a
Deus pela graça que recebi, pela obra em minha vida, pelo parto, por tudo! Pela dádiva de conceber, gerar e parir naturalmente!
Ao
Bbzo por ser minha vida! Por ter apoiado meu ideal e ter participado ativamente do parto, pelo cuidado que tem comigo e com a nossa filhinha, pela força e segurança que transmite!
À minha
mãe, meu exemplo de mulher forte e digna, que também apoiou minha decisão e esteve ao meu lado me orientando, encorajando e orando por nós!
À minha
irmã do meio que fotografou o parto e orou tanto para que corresse bem!
À minha
sogra por cuidar de mim como filha.
À
Vilma por ter sido tão atenciosa e maravilhosa conosco.
A todas as mulheres da minha família (parideiras) e às maternas (parideiras também!) que me fizeram acreditar em mim e no meu corpo e me ajudaram a decidir pelo parto domiciliar, por tudo que aprendi na lista, muito obrigada!
E à minha
princesa, por mudar a nossa vida!